sábado, 20 de março de 2010

Unidos Venceremos

Índios usam Internet contra desmatamento
Povo Suruí monitora reserva através do Google Outreach

18/03/2010 - 11:45

fonte: G1/ BBC Brasil

Quando Almir Suruí, 35 anos, teve seu primeiro contato com o Google Earth, fez o que todas as pessoas normalmente fazem: foi procurar as suas raízes, a sua casa. No caso dele, líder do povo Suruí, que vive na reserva indígena Sete de Setembro, na divisa entre os Estados de Rondônia e Acre, o espanto foi imediato. A vista aérea da reserva (248 mil hectares), com o entorno quase totalmente desmatado, em cor marrom, o deixou chocado. Isso foi em 2007.


De lá para cá, a tal “ferramenta dos brancos” tem sido uma grande aliada dos Suruí. "Eu acho que nossa aliança com a internet é muito importante porque facilita e possibilita que a comunicação fortaleça politicamente nosso povo", diz Almir Surui. "O meu povo pode falar da ameaça da floresta, do desenvolvimento da floresta, da valorização cultural do povo Suruí", lista as possibilidades.
Depois de um encontro com o pessoal do Google e de aplicar a internet para monitorar o desmatamento na região, hoje os Suruí tem uma parceria com o Google Outreach (o braço social do Google) e são considerados a menina dos olhos da companhia.


Tanto que a diretora mundial do projeto, Rebecca Moore, tomou conhecimento de coisas que não imaginava. "Ouvimos histórias sobre as ameaças representadas por madeireiras ilegais e mineradoras, sobre pessoas assassinadas, sobre o fato de existir inclusive uma recompensa pela cabeça do próprio Almir, por liderar seu povo e resistir às madeireiras", contou.
"Ficou claro que ele tem uma idéia muito sofisticada de como a tecnologia moderna pode ajudar os povos tradicionais a se fortalecer, fortalecer sua cultura, proteger e preservar suas terras, e preencher uma lacuna entre modos tradicionais e modernos."


Neste momento os Suruí querem embarcar no mais ambicioso objetivo da "parceria" com o Google: combater o desmatamento da reserva Sete de Setembro, em tempo real.
Eles aguardam a chegada dos primeiros aparelhos smartphones equipados com o sistema operacional Android, da Google, que lhes permitirá tirar fotografar imagens do desmatamento em tempo real, postar na internet e enviar para o mundo e as autoridades competentes.


"Não é somente eles dizendo que existe (o desmatamento), é todo mundo vendo que existe. O poder de convencimento muda", avalia o gerente de produtos da empresa, Marcelo Quintella.
E Suruí arremata: "Cada um tem seu arco e flecha guardado em casa. Mas, ao mesmo tempo, a gente está usando notebooks", diz. Além de iPhone, que tira do bolso. "Hoje, essas são realmente nossas ferramentas de diálogo para construir um mundo melhor."


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Por Zilmar

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