terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Preservar é preciso

Geografia
Prática pedagógica Paisagem cultural

Edição 129 | 02/2000
Preservar é preciso
Há vinte anos, as igrejas e os casarões de Ouro Preto ganhavam o status de Patrimônio da Humanidade

Igreja no centro de Ouro Preto e, no detalhe, um anjinho numa das cúpulas: amostras do barroco Foto: LucianaNapchan
Igreja no centro de Ouro Preto e, no detalhe, um anjinho
numa das cúpulas: amostras do barroco
Foto: LucianaNapchan

O mulato Duarte Lopes acompanhava uma expedição bandeirante na região do Pico do Itacolomi, no final do século XVII, quando sentiu sede. Dirigiu-se ao primeiro córrego que avistou e, ao retirar a gamela cheia de água do rio, notou pequenas pedras escuras no fundo. Embora não soubesse, acabara de encontrar ouro coberto por óxido de ferro. Sua descoberta iniciou um período de riqueza na região que duraria um século e daria origem a Vila Rica, mais tarde rebatizada de Ouro Preto, no Estado que ganharia o nome de Minas Gerais. Considerada um dos conjuntos mais marcantes da arquitetura colonial e do período barroco no Brasil, a cidade comemora no dia 5 de setembro os vinte anos de seu reconhecimento como Patrimônio da Humanidade.

As igrejas barrocas, cuja beleza foi cantada em versos por poetas como Olavo Bilac e Manuel Bandeira, foram tombadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira a entrar na seleta lista de bens tombados, que inclui lugares como Roma e Egito, com suas pirâmides.

Patrimônio cultural

Além de uma boa aula de História sobre a Inconfidência Mineira, que teve sua base em Ouro Preto, aproveite o aniversário do tombamento para trabalhar os conceitos de preservação e patrimônio cultural com seus alunos. Mostre a importância desses dois aspectos para o exercício da cidadania. "Resgatar a memória é essencial para que um povo se perceba como sujeito de sua própria história", explica o professor de Geografia José Carlos Carreiro, da Universidade de São Paulo. "Para evoluir, o homem precisa conhecer suas raízes."

Partindo dessa afirmação, é possível realizar um debate sobre o descaso das autoridades brasileiras com a preservação. Cite o exemplo de Olinda, a segunda cidade brasileira a ser tombada pela Unesco, em 1982, que corre o risco de perder o título porque vários de seus monumentos estão em situação de abandono são igrejas com rachaduras nas paredes, ladeiras esburacadas e altares de madeira infestados de cupins. Lembre outro exemplo da falta de cuidado: a demolição, em 1896, da igreja do Pátio do Colégio, marco da fundação da cidade de São Paulo, reconstruída nos anos 70 deste século.

Se você tem dúvidas sobre como educar para a preservação, aproveite as dicas do arquiteto Mauro David Artur Bondi, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ele ensina que o homem tende a preservar aquilo a que dá valor. O primeiro passo, portanto, é chamar a atenção dos alunos para as coisas à sua volta, fazendo-os observar a cidade, suas ruas, praças e monumentos. Siga o roteiro de atividades propostas por Bondi e pelos professores José Carlos Carreiro e Vanderlei Pinheiro Bispo, da Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo, para montar uma bela aula.

Por: Zilmar

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